No mais respeitoso silêncio e escurinho a meia luz do cabaret Maxime, o mestre dos filmes de Hong Kong, Johnnie To, falou do seu trabalho como realizador e produtor, e sobre a sua ligação ao contexto de produção do cinema da região chinesa. A conversa, de entrada livre, foi aberta à participação do público e em inglês – o realizador e o argumentista Wai Ka-Fai respondiam na língua mãe. A sala não estava cheia, provavelmente pela fraca divulgação, mas tinha alguns curiosos.
Johnnie To, reconhecido pela sua versatilidade, confessou que ainda «procura o significado do cinema e do que o cinema significa» para ele, e talvez por isso ainda não tenha enveredado por caminhos Hollywoodescos, embora confesse que «talvez um dia» o faça, só que para isso precisa de «muita preparação» e sentir-se «mais à vontade com o inglês».
Sobre os filmes, três dos mais recentes são The Mission, Where a Good Man Goes (rodado em Macau) e Running Out of Time, todos eles de recorte policial, To confessa inspirar-se nos filmes antigos de artes marciais e é justamente por isso que, justifica, tem a célebre tendência para as imagens de ‘acção parada’ – como aquelas longas esperas antes do desenlace ultra rápido do duelo final numa luta. Segundo o autor, esta dimensão criativa é o que o fascina no cinema, já que «o tempo e a velocidade podem ser manipulados». Sobre isto o realizador brincou: «Como se criam cenas de acção com orçamentos limitados?Fazendo-os parados!»
Johnnie To é um dos Heróis Independentes desta edição do Indie Lisboa, que tem vários filmes do autor em cartaz. Hoje podem ser vistos Loving You no Teatro Maria Matos, às 19h15; e ainda Sparrow e Mad Detective, ambos no São Jorge, às 18h45 o primeiro e às 19h00, e de novo às 21h45, o segundo.
Em breve a crítica de Running out of time estará disponível AQUI.
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